Um Passeio em Alfama

Um Passeio em Alfama

Conhecer Alfama e passear pela história de Lisboa é uma deliciosa opção para quem chega a Portugal! O bairro mais antigo da cidade é cheio de encantos e recantos!
O seu nome deriva do árabe al-hamma, que significa banhos ou fontes e a razão de ser é confirmada pela carta geológica de Lisboa, que mostra um grupo de nascentes mineromedicinais. Ao longo da história, estas nascentes foram encanadas para alimentar chafarizes. Graças a este conjunto de nascentes, Alfama era, antes da construção do Aqueduto das Águas Livres, a zona de Lisboa com menos problemas de falta de água. Em 1868, as águas de Alfama ou Águas Orientais foram introduzidas na rede de abastecimento público de Lisboa, com a construção de uma cisterna, no local do antigo Chafariz da Praia, acima da qual está atualmente instalado o Museu do Fado.
Essas águas com temperaturas acima dos 20°C e que chegaram mesmo a ser classificadas, em finais do século XIX, como águas mineromedicinais, foram exploradas pelo menos desde o século XVII como banhos públicos, os quais se mantiveram em atividade até às primeiras décadas do século XX. O bairro é formado por ladeiras, becos, ruelas, casebres coloridos (exibindo seus varais nas janelas), igrejas, miradouros, casas de fado e muito mais. Aqui a simplicidade e a antiguidade pairam no ar, contando a história de toda a gente que por aqui passou durante tantos séculos! Para ouvir o fado tradicional, Alfama é o lugar certo, é só escolher uma das inúmeras casas do ramo. E quando chega o mês junho, época da famosa festa dos santos, é o sítio ideal para comer uma sardinha assada, um pão com chouriço e tomar um copo de vinho tinto nos arraiais do bairro! Uma passeio maravilhoso! Venha conferir!

Comecemos pelo Museu do Fado, que nos conta a seguinte história: “As primeiras referências ao canto do fado na cidade de Lisboa datam do início do século XIX, período marcado por grande instabilidade política. Nascido nos contextos populares, o fado encontra-se presente nos momentos de convívio e lazer pelas ruas e vielas, nas tabernas e touradas. Cantando temas urbanos, o fado esteve inicialmente associado à marginalidade e à transgressão. Para a classe operária, que começou a se estruturar a partir de 1860, transformou-se num importante veículo de comunicação, associando-se às festas beneficentes ou às cegadas de carnaval, integrando gradualmente o calendário festivo popular de Lisboa. No final do século XIX, o fado vive um período de divulgação nos palcos do Teatro. A partir de 1910, as publicações periódicas atestaram a consagração do gênero. A repercussão internacional começou a partir da década de 30, em direção ao continente africano e ao Brasil, destinos preferidos de artistas como Ercília Costa, Madalena de Melo, João da Mata, entre outros. Será, porém, em 1950 que a internacionalização do fado se consolidará definitivamente na voz de Amália Rodrigues.”

Museu do Fado (Largo do Chafariz de Dentro 1, 1100-139 Lisboa)
Funciona de Terça a Domingo das 10h00 às 18h00 (últimas admissões: 17h30)
Bilhete: 5.00€
Entrada gratuita: domingos e feriados entre 10 e 14h

Seguimos para o Panteão Nacional, instalado na igreja de Santa Engrácia, que levou 284 anos para ser concluída (1682-1966). Estilisticamente é considerado o primeiro monumento barroco no país. O Panteão Nacional destina-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização. O Panteão abriga os cenotáfios de heróis da História de Portugal, sendo estes: D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque, Luís de Camões e Vasco da Gama. Entre as personalidades ilustres que aí estão sepultadas, encontramos sobretudo presidentes da república e escritores. Do terraço podemos desfrutar de uma magnífica vista panorâmica da cidade.

Panteão Nacional (Campo de Santa Clara, 1100-471 Lisboa)
Funciona de 3ª a Domingo das 10:00 às 17:00
Bilhete: 4€
Entrada gratuita: 1º Domingo de cada mês, para visitas individuais e pequenos grupos (até 12 pessoas)

Se o passeio for numa terça ou num sábado, aproveite para conhecer a famosa Feira da Ladra, no Campo de Santa Clara, bem próximo ao Panteão. Nesse mercado popular vendem-se objetos novos (azulejos e outros artesanatos) e usados (a grande maioria), antiguidades e velharias, de máquinas fotográficas antigas a móveis usados, louças, ternos, gravatas, relógios de bolso, discos de vinil entre outros artigos. Tem de tudo um pouco, de muita utilidade ou não! Seja como for, bem regateado, aqui poderá encontrar vários souvenirs originais. É um bom lugar para passear, ler um livro (no Jardim Botto Machado), tomar um café (há muitos lugares com esplanada). A feira nasceu no século XIII e passou por vários lugares da cidade (o Castelo, Praça da Alegria, entre outros) até o ano de 1882, quando se fixou no Campo de Santa Clara.

Feira da Ladra – Campo de Santa Clara
Terças e sábados (No verão das 7h às 17h e no Inverno das 7h às 14h) – horário aproximado

A seguir vamos nos deparar com a Igreja/Mosteiro de São Vicente de Fora, que remonta a uma igreja principiada em 1582, no local onde D. Afonso Henriques havia mandado construir um templo também sob a invocação de São Vicente, em agradecimento pela conquista de Lisboa aos Mouros no ano de 1147. O santo foi proclamado padroeiro de Lisboa em 1173. A igreja de São Vicente de Fora fica localizada numa zona que identifica o contexto medieval da cidade no século XVI. É um exemplo do Maneirismo em Portugal, onde também é possível identificar a presença dos estilos gótico e barroco. Considerada a grande obra arquitetônica da Dinastia Filipina, foi construída fora das muralhas, e por esse motivo surge o nome de São Vicente de Fora. No mosteiro agostiniano adjacente, podemos visitar os claustros cobertos pelo maior conjunto de azulejos barrocos do mundo (cerca de 100 mil), a bela sacristia joanina, um museu de arte sacra, o panteão dos reis da dinastia Bragança e a extraordinária série de 38 painéis de azulejos que contam as famosas fábulas de La Fontaine, escritor francês (1621-1695). Do terraço, situado junto às torres, tem-se uma das vistas mais espetaculares da cidade de Lisboa.

Igreja/Convento de São Vicente de Fora - Largo de São Vicente, 1100-572 Lisboa
Funciona de 3ª a Domingo das 10:00 às 18:00h
Bilhete Mosteiro: 5.00€

Subindo a rua de São Vicente, que fica em frente ao Mosteiro, descendo as escadas do Beco dos Lóios, virando à direita e subindo a Calçada da Graça, alcançamos o miradouro da Graça, de onde podemos contemplar a cidade, o castelo de São de Jorge e papear um pouco na esplanada. No mesmo largo fica a Igreja/Convento da Graça, fundada pelos Eremitas de Santo Agostinho em 1271, sofreu inúmeras alterações desde então e, com o terremoto de 1755, ficou em ruínas, sendo reconstruída em estilo barroco. Em seu interior há um riquíssimo patrimônio azulejar dos séculos XVI, XVII e XVIII e a belíssima exposição “Procissão do Corpus Christi”, que representa como era a procissão em meados do século XVIII. São cerca de 1500 peças de barro policromado, com acessórios em tecido, metal e madeira, esculpidas à mão, pelo artista Vasco Pereira da Conceição e pintadas por Antônio Soares. Lindo!

     

1.Igreja/Convento da Graça 2. Miradouro 3. Vista panorâmica de Lisboa, ponte 25 de abril, rio Tejo 4. Vista do Castelo de São Jorge 5. Painel de azulejo da igreja da Graça 6. Exposição da Procissão de Corpus Christi no século XVIII.
A igreja funciona de 3ºf - 6ªf: 09h00 - 18h00 Sábado: 09h30 - 12h30 / 14h30 - 18h00 Domingo e Dias Santos: 09h30 - 12h30 / 17h00 - 20h00. Entrada gratuita.

Descendo a Calçada da Graça e seguindo pela Rua São Tomé, chegaremos ao Largo Portas do Sol, que oferece um belo visual sobre Alfama! Vê-se o Mosteiro de São Vicente de Fora, o Panteão Nacional, a Igreja de Santo Estêvão e aquele monte de casinhas empilhadas. É uma foto obrigatória! Aqui tem o lounge do restaurante Portas do Sol e um quiosque, bons locais para descansar, petiscar ou tomar um gelado!
Ao centro, virada para o Museu de Artes Decorativas, que também é muito interessante, está a estátua de São Vicente (o santo padroeiro de Lisboa).

 

1. Elétrico descendo a Rua São Tomé 2. Portas do Sol 3. Estátua de São Vicente

Continuamos a caminhada e logo encontraremos o Largo de Santa Luzia, onde há outro miradouro, um dos mais belos da cidade, com uma vista soberba para Alfama e o rio Tejo. Nos detalhados azulejos deste miradouro podemos ver representações da Praça do Comércio antes do terremoto de 1755 e do ataque cristão ao Castelo de São Jorge. Também se destaca o busto de Júlio de Castilho (famoso escritor e político português) e a Igreja de Santa Luzia, edificada sobre a cerca moura e ligada aos Cavaleiros da Ordem de Malta, cuja origem remonta ao séc. XII (reinado de Afonso Henriques). Primitivamente, era uma igreja-fortaleza avançada sobre os arredores da zona oriental da cidade. Objeto de várias reedificações, este templo traduzia, após o terremoto de 1755, uma arquitetura de inspiração clássica. Atualmente é sede nacional da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta.

 

1. Miradouro de Santa Luzia com seu patrimônio azulejar e a igreja

Se quiser almoçar, desça pelo Beco do Limoeiro e logo alcançará vários cafés e tabernas! O “Le Petit Café”, no largo de São Martinho, é a minha dica, pois conta com menu variado, pratos saborosos e ótimo atendimento! Tem uma esplanada agradável com música ao vivo e um charmoso espaço interno! Excelente opção para carregar as baterias, tomando um bom vinho, curtindo os registros já feitos, e seguir passeando o resto do dia!

Agora, com as energias repostas, vamos em direção à Rua da Saudade, nome que vem bem a calhar, para quem está chegando ao Teatro Romano, edificado no século I d.C., provavelmente na época de Augusto. Com capacidade para cerca de 4000 espectadores, a obra foi definida por Vitrúvio, arquiteto que estabeleceu as formas de construção e as normas arquitetônicas do Império Romano.  O teatro sobreviveu ao casario compacto que sobre ele se erigiu, aos muitos terremotos que assolaram a cidade e à pilhagem de quase todas as suas pedras. É admirável que subsista, reconhecível, sob o chão que pisamos. Foi descoberto pela primeira vez em 1798, quando se procedia à reconstrução da cidade de Lisboa, após o terremoto de 1755. As ruínas podem ser visitadas gratuitamente, porém ao lado está o Museu de Lisboa – núcleo Teatro Romano, que apresenta peças da época romana, além de vários objetos de cronologia anterior, como materiais cerâmicos da Idade do Ferro (séc. IV/III a.C.), peças medievais e da Idade Moderna, ilustrando uma intensa ocupação humana no local.
Desde a reabertura em setembro de 2015, o Museu de Lisboa - Teatro Romano oferece uma programação variada a todos os visitantes do museu. Palestras, visitas guiadas, percursos na área envolvente e encenações clássicas nas ruínas. Uma das atividades de maior sucesso é a “Hora de Baco”. Na última quinta-feira de cada mês, entre 18h e 20h, o museu abre gratuitamente, oferecendo pequenos concertos musicais acompanhados de provas de vinhos, patrocinadas pela Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Imperdível!

 

1. Teatro Romano – Museu 2. Ruínas 4. Desenho original
Rua de São Mamede 3A, funciona de terça a domingo, das 10h às 18h (última admissão as 17h)
Bilhete: 3€ (entrada gratuita aos domingos ate às 14h)

Vamos caminhar mais um pouquinho e visitar a Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior.
Construída durante o reinado de D. Afonso Henriques, seu início remonta ao ano de 1150, após três anos da conquista da cidade aos mouros. O local escolhido para a sua edificação foi o ponto onde já existia uma antiga mesquita, que pertencia àquele que foi o primeiro bispo de Lisboa, conhecido pelo nome de Gilbert de Hastings. Os três terremotos sentidos na capital de Portugal, que danificaram a cidade, não pouparam esta igreja, conferindo-lhe também alguns prejuízos materiais. A Sé foi então remodelada de forma a apresentar-se hoje com uma incorporação de vários estilos, que foram sendo associados ao longo dos séculos e reinados.

 

1.Sé/Catedral de Lisboa 2. Altar-mor 3. Claustro
Localizada no Largo da Sé, 1100
Catedral: todos os dias, das 9:00 às 19:00 horas. Entrada gratuita
Claustro: todos os dias, das 10:00 às 18:00 horas (verão) e das 10:00 às 17:00 (inverno). Bilhete: 2,50€.
Tesouro: das 10:00 às 17:00 horas. Fechado aos domingos e feriados. Bilhete: 2,50€.
Claustro e tesouro: 4€ Estudantes e carnê jovem: 50% de desconto. Menores de 11 anos: entrada gratuita.

Para fechar o passeio, vamos pegar o elétrico n 12 ou n 28, no largo as Sé, e seguir para o Castelo de São Jorge.
O Castelo integra a zona nobre da antiga cidadela medieval. A fortificação, construída pelos muçulmanos em meados do século XI, foi o último reduto de defesa para as elites que viviam na cidadela: o alcaide mouro, cujo palácio ficava nas proximidades, e os poderosos administradores da cidade, cujas casas são ainda hoje visíveis no Sítio Arqueológico. Após a conquista de Lisboa, em 25 de Outubro de 1147, por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, até o início do século XVI, o Castelo de S. Jorge conheceu o seu período áureo enquanto espaço cortesão. Os antigos edifícios de época islâmica foram adaptados e ampliados para acolher o Rei, a Corte, o Bispo e instalar o arquivo real. Transformado em paço real pelos reis de Portugal no século XIII, o Castelo foi o local escolhido para receber personagens ilustres nacionais e estrangeiras, realizar festas e aclamar Reis, ao longo dos séculos XIV, XV e XVI. Com a integração de Portugal na Coroa de Espanha, em 1580, o Castelo de S. Jorge adquiriu um caráter mais militar, que se manteve até o início do século XX. Mas, foi sobretudo após o terremoto de 1755 que se ditou uma renovação mais substantiva, com o aparecimento de muitas construções novas, que acabaram escondendo as ruínas antigas. No século XIX, toda a área do monumento nacional foi ocupada por quartéis. Com as grandes obras de restauro de 1938-40, redescobriu-se o castelo e os vestígios do antigo paço real. No meio das demolições, as antigas construções foram resgatadas. O castelo readquiriu então a sua imponência e foi devolvido ao usufruto dos cidadãos. Já no final do século XX, as investigações arqueológicas promovidas em várias zonas contribuíram para constatar a antiguidade da ocupação e confirmar o inestimável valor histórico, que fundamentou a classificação do Castelo de São Jorge como Monumento Nacional, por Decreto Régio em 1910.

   

Castelo de São Jorge
1 Novembro a 28 Fevereiro | 9h00 – 18h00
1 Março a 31 Outubro | 9h00 – 21h00 (Última admissão: 30 minutos antes da hora de encerramento)
Bilhete: 8,50 €

Bom, se ainda houver disposição, a sugestão é encerrar a noite com um belo jantar, numa das inúmeras casas de fado da região ou num bom restaurante!

O Chapitô à Mesa é um restaurante que faz parte do projeto social e cultural de Maria Teresa Ricou ou Teté, a mulher-palhaço, uma artista portuguesa ligada às artes circenses.
Desde que criou essa personagem, no início da década de 1980, Teresa é a mentora do Chapitô, uma instituição particular sem fins lucrativos que promove, através das artes do espetáculo, sobretudo as artes circenses, a integração social de jovens em situação de fragilidade social.
O restaurante se inspira nas raízes da cozinha tradicional portuguesa e conta com três espaços, cada um com a sua oferta gastronômica: na esplanada e miradouro, fica a grelha a carvão e lenha; tem a petisqueira; e ainda o restaurante com uma vista deslumbrante sobre Lisboa e pratos maravilhosos! Um ambiente literalmente cheio de magia, que seduz os nossos sentidos. Após a refeição surpreenda-se com um mágico à sua mesa, fazendo a diversão da noite! Uma experiência ímpar!

CHAPITÔ À MESA: R: Costa do Castelo nº 7 - Tel.: +351 218 875 077 (Fica a 2 minutos do Castelo de S. Jorge)
Restaurante: funciona de 2ª a 6ª das 12h às 24h/Sábados e domingos das 19h30 às 24h.
Esplanada, Miradouro e Bar de Tapas: funciona de 2ª a 6ª das 19h às 2h/ Sábados e domingos das 12h às 2h

E para curtir um jantar com fado temos:

Clube do Fado

Rua de São João da Praça 92 Alfama - Tel.: +351 21 885 2704
Funciona todos os dias de 19:30 às 2:00h

Tasca Bela

R. dos Remédios 190, 1100-122 – Tel.: +351 926 077 511
Funciona todos os dias de 20:30 às 3:00h

Tasca do Jaime

Rua da Graça 91, 1170-050 – Tel.: +351 218 881 560
Funciona de terça a domingo das 9:00 às 21:00h

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