Museu do Azulejo

Museu do Azulejo

Instalado no antigo Convento da Madre de Deus, fundado em 1509 por iniciativa da Rainha Dona Leonor de Lencastre, o Museu Nacional do Azulejo é um dos mais importantes do país, por sua coleção singular do elemento que é a representação artística mais expressiva da cultura portuguesa: o azulejo!

Como qualquer casa monástica, a Madre de Deus passou por diversas campanhas que visaram ampliar e redecorar o espaço sacro. O terremoto de 1755 destruiu parte da estrutura do templo, que rapidamente foi reconstruído.

Com o encerramento das atividades religiosas em 1872, o patrimônio móvel foi disperso entre as coleções régias e o Museu Nacional de Arte Antiga e o espaço do convento destinou-se a asilo.

Em 1958, por ocasião do 5º centenário do nascimento da Rainha D. Leonor, a Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma exposição sobre a sua vida. Nesta altura, o edifício recebeu grandes melhorias, tendo sido para lá transferidas as coleções de azulejo do Museu Nacional de Arte Antiga.

Tratando-se de um edifício amplo e ricamente decorado, surgiu então a ideia de criar um Museu dedicado ao Azulejo. Assim, em 1965, nasceu o Museu do Azulejo, embora ainda na dependência do Museu Nacional de Arte Antiga. Por fim, no dia 26 de setembro de 1980, o Museu do Azulejo emancipa-se, tornando-se Nacional e autônomo.

Curiosamente, a confecção de azulejos é originária do Egito, propagando-se posteriormente pelo resto da África e pela Europa. Entretanto, foi em Portugal que os azulejos ganharam notoriedade e tradição em mais de 500 anos de produção! Foram utilizados para revestir igrejas, decorar palácios, ostentar habitações, fazer sátira política e social. Enfim, mudar a paisagem urbana!

O acervo do Museu Nacional do Azulejo abrange toda esta produção azulejar, desde a segunda metade do século XV até os dias atuais. A exposição permanente começa por uma apresentação breve das técnicas de manufatura do azulejo, seguindo a visita uma ordem cronológica, pelas diferentes salas do Museu.

Há exemplares hispano-mouriscos, do início séc. XVI, azulejos produzidos na Espanha utilizando as técnicas de corda-seca e arestas, com motivos árabes.

Outros feitos em Faiança – técnica italiana que tornava possível a pintura direta sobre o azulejo liso, sem que as cores se misturassem durante a cozedura.

Nesta técnica desenvolveu-se toda a azulejaria portuguesa, a partir de meados do séc. XVI. Uma notável obra em Faiança, é o RETÁBULO DE NOSSA SENHORA DA VIDA (1580), composto por 1384 azulejos, uma das primeiras obras-primas da azulejaria portuguesa, atribuída a Marçal de Matos.

Da primeira metade do séc. XVII, “Período Filipino”, existem ricas padronagens, tratam-se de módulos que se repetem, criando um padrão ao longo de vastas superfícies, lembrando tapetes. A azulejaria desta época, em regra encomendada pelo clero, para valorizar espaços religiosos, era executada por artífices e aprendizes. As cores mais frequentes eram o azul e o amarelo.

Após a Restauração da Independência, em 1640, a nobreza começa a encomendar painéis com temas não religiosos, para decorar os seus palácios. As caçadas, atividade nobre desta época, constitui uma das cenas mais representadas, bem como os temas mitologia e crítica social.
O estilo barroco predomina e pode ser apreciado nas obras da capela de Santo Antônio.

Da policromia do séc. XVII, visível nos grandes painéis de flores, passou-se no século XVIII à azulejaria pintada a azul-cobalto, por influência da azulejaria holandesa e da porcelana chinesa. As inúmeras riquezas chegadas do Brasil fizeram crescer a quantidade e a exuberância das encomendas nesta época.

Destaca-se a obra o GRANDE PANORAMA DE LISBOA (1700), atribuído ao pintor Gabriel del Barco, que constitui a paisagem em azulejos mais completa da cidade de Lisboa, antes do terremoto de 1755.

No primeiro quartel do séc. XVIII, os azulejos passaram a ser pintados por pintores de formação erudita. Notabilizaram-se vários deles, pela qualidade estética e técnica que aplicavam: Gabriel del Barco, Manuel dos Santos, Antônio Pereira, a família dos Oliveira Bernardes, o Mestre PMP. Este período ficou conhecido por “CICLO DOS MESTRES”.

No segundo quartel do séc. XVIII - “CICLO DA GRANDE PRODUÇÃO”- a fabricação de azulejos aumentou, consideravelmente, e destacaram-se nomes como Teotônio dos Santos, Bartolomeu Antunes e Nicolau de Freitas.

Do final do século XVIII, é notável o conjunto de painéis que conta a história da ascensão social do pastor Antônio Joaquim Carneiro a rico fabricante de chapéus – História do Chapeleiro.

No Museu Nacional do Azulejo, encontram-se obras que testemunham a evolução e a monumentalidade desta peça de cerâmica, que se adaptou às necessidades, acompanhou estilos das diferentes épocas e agora nos conta a história das vivências em Portugal de outrora.

Vale a pena conferir!

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